domingo, 23 de setembro de 2012

Observando

E lá estava observando o vai e vem das pessoas num shopping qualquer da cidade de São Paulo. Comprei um sorvete cheio de confeitos e sentei pra saborear. Ali fiquei fazendo fita, cada colherada uma olhadela pro povo. Chegaram quatro pessoas e uma senhora na cadeira de rodas, as mãos danificadas pelo reumatismo. A fisionomia de uma tristeza enorme. Os familiares dessa senhora sentam-se e a cadeira de rodas fica em um ângulo ruim para os transeuntes. Alguns desviam, outros batem e a senhora se sobressalta, estou prestes a levantar e agir, mas não faço, espero mais um pouco, como não percebem que além de estarem semi bloqueando a passagem, ainda estão incomodando a velha senhora? A olho, ela cabisbaixa, vez ou outra olhando a tagarelice dos familiares que nem ao menos a olham, ou a botam a par da conversa. Ela me olha de esguelha, nos olhos a vida ainda pulsa, devagar, mas pulsa, ela está lúcida. Quando eu ia levantando pra arrumar a cadeira, eis que surge a babá da senhora, todos se levantam e saem dali, a velha senhora passa por mim, lhe dou um sorriso tímido, ela me olha, não retribui de imediato, parece em câmera lenta, mas ela tenta, nos olhos um momento efêmero de algum sinal de alegria. --Solange Mazzeto

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