ela carente de atenção
ele estouvado de pretensão
outra vida
inexata, taquicárdica
na boca a mancha de batom
na língua, o pulmão
verdades sucintas
pano de fundo, romance de verão
mas era inverno, tarde de primavera
espera, era qualquer estação
de antemão
já se via o olho na mão
sem mentira, era o amor brotando ali
na semi escuridão da rua de paralelepípedos
(despidos)
peito aberto, braço nu
seio aflito, livros (...)
na bruma, no Avalon
na Terra
na lira
na poesia
-Solange Mazzeto
quarta-feira, 19 de junho de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Sobre Rubem Alves
Tarde de outono, estação melancólica. Recostada numa manta xadrez leio o Livro do meu autor favorito, Rubem Alves, o Rubem reúne várias de mim que o leem com um vagar fabuloso, sou elétrica por natureza, mas ao lê-lo, vou e volto nas estações primaveris, vagueio pelo inverno, é nessa estação que estão os ipês, de preferência os amarelos.
Rubem me retrata, me expande, me acolhe, em algumas crônicas me pega no colo, como avô amoroso. Ele está envelhecendo, recentemente vi uma foto; ele mais magro, mais arqueado, mas com os olhos perspicazes de menino, como se logo mais; fosse escalar uma jabuticabeira e juntos sentaríamos a beira do lago apreciando essas frutas que amamos.
Quem me conhece sabe que meu prazer, e um dos grandes, seria me ver face a face com o Rubem, ver o homem de pertinho, sentir o cheiro que ele exala, poder cumprimentá-lo com um aperto de mão, e beijar sua face de mansinho.
Quando estive na Bienal e ele também, não nos vimos, ele estava lançando mais um Livro e eu minha 1ª Antologia, na época eu estava envergonhada demais para ir ao encontro dele, se o encontrasse saberia nada dizer...
Quem sabe um dia ainda o vejo andando pelas calçadas, apreciando um ipê...
texto e fotografia: Solange Mazzeto
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Feira Livre
Dia de feira, olha o abacaxi, mas tá bom moço? ô se tá moça, abacaxi doce que nem mel - Olho bem pro abacaxi, verde, verde, não levo não seu moço. Outra barraca, e esse abacate? Tem maduro? Ele amadurece no caminho moça! Oi Rogério, o homem que vende ovos, oi Solange, quanto tempo, não a vejo desde o ano passado... Sorrisos, brincadeiras, alegria, na feira, os feirantes parecem não ter tristeza, tudo é alegria, talvez devido a cor, sabor, cheiros, detalhes, flores, e grita o homem da barraca do peixe: olha o peixe, tá vivo!
TEXTO: Solange Mazzeto
IMAGEM: ZORLINI, OTTONE Feira livre, Treviso 1954
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Entre a brisa e o sopro
a melancolia pede licença
o tempo cinza não ajuda
o pão queima
a tarde invade os sentidos
permeia os dedos
gentil, o tempo passa gentil
sutil. na fresca da areia
espuma docente
sorri
na banguela da escuridão
que nem caramelo grudado no dente
-Solange Mazzeto
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