domingo, 19 de maio de 2013

Sobre Rubem Alves

Tarde de outono, estação melancólica. Recostada numa manta xadrez leio o Livro do meu autor favorito, Rubem Alves, o Rubem reúne várias de mim que o leem com um vagar fabuloso, sou elétrica por natureza, mas ao lê-lo, vou e volto nas estações primaveris, vagueio pelo inverno, é nessa estação que estão os ipês, de preferência os amarelos. Rubem me retrata, me expande, me acolhe, em algumas crônicas me pega no colo, como avô amoroso. Ele está envelhecendo, recentemente vi uma foto; ele mais magro, mais arqueado, mas com os olhos perspicazes de menino, como se logo mais; fosse escalar uma jabuticabeira e juntos sentaríamos a beira do lago apreciando essas frutas que amamos. Quem me conhece sabe que meu prazer, e um dos grandes, seria me ver face a face com o Rubem, ver o homem de pertinho, sentir o cheiro que ele exala, poder cumprimentá-lo com um aperto de mão, e beijar sua face de mansinho. Quando estive na Bienal e ele também, não nos vimos, ele estava lançando mais um Livro e eu minha 1ª Antologia, na época eu estava envergonhada demais para ir ao encontro dele, se o encontrasse saberia nada dizer... Quem sabe um dia ainda o vejo andando pelas calçadas, apreciando um ipê... texto e fotografia: Solange Mazzeto