quinta-feira, 10 de março de 2016

Tons suaves num acorde de violão

no bailar da tarde
a alma voa
de encontro a metade parida
a garoa cai
alguns suspiros não tão doces
me acendem a pensar
pensar dói
prefiro sentir
o amor puído
a pessoa de outrora
a pessoa de agora
tudo é tudo
tudo é nada
nada é tudo
meu cabelo roça a nuca
me arrepio
fantasmas voam ao longe
as cores são azuis

_____________ texto: Solange Mazzeto
Imagem: Google

segunda-feira, 28 de julho de 2014

PS: O Amo, o amei, e eternamente amarei

Um dia eu pensei que sentiria saudade, mas você estava ali comigo, recolhendo instantes, querendo uma neta, e quando engravidei foi uma festa bem nossa, éramos festeiros por natureza, riamos tanto, minha barriga foi crescendo, a sua neta se desenvolvendo, e nós ali na quase certeza de ser a tão sonhada menininha, queríamos a surpresa e não a ‘ansiedade’ do ultra-som. E no dia 28 de setembro, na primavera, chegou a tão esperada netinha sua. Você sorria tanto ao vê-la, suas covinhas se abriam de par em par. Você acompanhou tudo, os enjôos, as decepções, o meu medo diante de tudo, você me dava segurança e colo, era tão bom quando eu queria doce sírio e você corria buscar, e depois cortava pequenos pedaços de cana pra que eu pudesse chupar, e ainda descascava pinhões pra eu comer, e corria na padaria toda vez que eu dizia estar indo até a sua casa, e comprava o pão doce que eu gostava... Eu por minha vez, fazia sua gelatina diet com pequeninos pedaços de maçã, e quando você dizia que estava vindo, eu cronometrava a hora para que quando você batesse na porta, o pão estivesse saindo do forno, e a mesa já estava posta, com minha porcelana cor-de-rosa. Era um tempo onde o mal parecia não existir, onde a ternura nossa, era tão palpável e tão real, que eu imaginava que sempre seria assim. Mas, quando a nossa pequena princesinha, tinha 6 meses, você resolveu 'partir', deixando um vazio tão profundo em minha alma, que minha asa ficou balançando ao léu... Mas, eu creio que você está sempre pertinho, acompanhando o desenvolvimento de sua neta, e sorrindo para nós através das nuvens. Quando pequena, ela dizia, o vovô "Zael" tá ali, sorrindo pra mim mamãe, e apontava o dedinho em direção ao céu! O mundo é mágico, ainda creio nisso, e o amor é eterno, e o que poderia nos separar não existe, pois somos todos um. Mas a falta do abraço, por vezes ainda perdura, e queria dizer a quem está lendo isso, que abracem e beijem aquela pessoa que está com você agora, porque um dia pode ser tarde demais... Esse cara aí descrito, foi meu sogro, foi meu amigo e foi um dos homens mais íntegros que tive o prazer de ter na minha vida. A você querido Izael, te deixo um PS: Eu o amo! TEXTO: Solange Mazzeto Imagem: Google

Segunda-feira

Segunda-feira, um dia inferível para muitos, ainda mais com chuva e muito frio. Levanto com a cachorra ganindo feito doida, querendo comer, cachorros nunca são saciáveis? Penso que não. Chá, meu, chá da filha, pão com manteiga, e o dia começa. Arrumação das camas, que no inverno, a gente já levanta fazendo musculação, e dobra daqui e dobra dali, despejo gotas de otimismo para garantir que o dia renda. Vejo um pouco de Ana Maria, subo ao banho, imprescindível com frio, ou sem frio. Mercado, compras para a semana; verifico o menu, o que farei todos os dias para comermos bem? Tem dias que falho, confesso e o jantar é feito de lanches ou de algo comprado pronto. Não acho super correto, mas me dou o direito a folgar, quando simplesmente ''não tô afim de...'' Tento a tarde tricotar roupinhas para as cachorras, sucesso? Nenhum! Fico abalada, como não consegui? Simples, não entendi como fazer as manguinhas, pego vídeo na internet, entendo, e amanhã quem sabe, tento. Daqui a pouco fazer o jantar, afinal, logo a filhota chega com fome. Assim, foi a segunda-feira, amanhã começo a semana definitivamente. TEXTO: Solange Mazzeto Imagem: Google

domingo, 27 de julho de 2014

Festival de Inverno em Paranapiacaba

Há dias cinzas , mas que são absolutamente coloridos. Pensa num frio, uma neblina gigante, numa chuva rala que ensopa até os ossos e a gente mal nota, companhia salutar, vinho para quem gosta, comidinhas várias e todas saborosas, tipo, lanche de pernil sem encontrar aquelas gordurinhas que incomodam o paladar, espetinhos de carne, macios e saborosos, polenta com linguiça, paella, pudim de leite com anúncio de o melhor... Cachorros aos montes, todos com olhar pidão, e molhadinhos aqui e acolá, querendo muito um pedaço de pão, um pedaço de carne, uma igreja antiga, simplérrima, artesanatos variados, tipo, filtro do sonho feito com couro, penas, barbantes, pulseiras daquelas estilo hippie mas feita na cidade londrina, brasileira, Paranapiacaba, e muita coisa feita da fruta natal, cambuci. Pingas artesanais, diversas. E até um casamento, realizado na rua da antiga padaria da cidadezinha, convidados? Todos os participantes do Festival. A misteriosa cidadezinha imersa na neblina, ao som de uma Banda tocando Blues. Sensacional. Dia de domingo caprichado, embrulhado de presente, especialmente para mim, mereci cada segundinho do dia, mereci cabelos arrepiados, bota encharcada, uma subida íngreme que desafiou a lei da gravidade e do meu condicionamento físico. Sem falar na descida de paralelepípedos escorregantes, mas válido, aventura, vibração boa, milhares de pessoas, em idades variadas, com direito até a criança de colo, se divertindo na atmosfera mágica da nossa "Londres'', o ''Big Ben'', nem foi visto hoje, devido a intensidade das nuvens que cobriam tudo e nos arremessava aos mistérios da cidade, quase entrei no cemitério que fica colocado na igreja, mas não tive coragem de tal façanha. Quase ia me esquecendo da fantástica ponte que a gente atravessa entre uma parte e outra da cidade, mergulhada na neblina, no quase desconhecido do outro lado, tão bom. Ah e hoje foi o último dia do Festival de Inverno, ano que vem tem mais! ___Solange Mazzeto

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Destino, mistério

fantasmas que volitam
esperando sinal para o beijo
a boca que desnuda, canta para amores eternos, passageiros,
talvez, portanto, quem sabe, assovie uma canção de amor
quanto custa um amor verdadeiro?
uma lambida. -Solange Mazzeto

terça-feira, 1 de abril de 2014

Última Estrela/ Alberto Caeiro

Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
Fotografia: Solange Mazzeto

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Na mão o toque suave do olhar

ela carente de atenção
ele estouvado de pretensão
outra vida
inexata, taquicárdica

na boca a mancha de batom
na língua, o pulmão
verdades sucintas

pano de fundo, romance de verão
mas era inverno, tarde de primavera
espera, era qualquer estação
de antemão
já se via o olho na mão

sem mentira, era o amor brotando ali
na semi escuridão da rua de paralelepípedos

(despidos)

peito aberto, braço nu
seio aflito, livros (...)

na bruma, no Avalon
na Terra
na lira
na poesia

-Solange Mazzeto