sábado, 13 de outubro de 2012
Sábado
Acordei sem o sol, abri os olhos, puxei a coberta e fique prestando atenção na minha respiração, ouvindo os sons internos do meu coração. Fiquei ali nesse semissono, querendo me convencer a não raciocinar. Até que levemente adormeci, e depois de duas horas me levantei, olhando pra fora pela janela semiaberta percebi que uma garoa fina e insistente ia acobertando o chão da Vila onde resido.
Olhei com melancolia pra árvores que os vizinhos, em sua ignorância haviam arrancado, estava cheio de flores cor-de-rosa e algumas amarelas e porque faziam sujeira, tinham sido brutalmente assassinadas. Muito se diz da matança de gente, de bicho e eu digo da matança das plantas.
Pois bem, hoje eles terminaram a matança, não direi mais nada, me calarei diante de tanta ignorância assassina.
O dia hoje está quase findo, um sábado atípico, não tive ensaio da Peça de Teatro, porque emendamos com o feriado. Hoje depois de alguns meses fui à feira, eu gosto de bater papo com aquela gente que acorda todo dia de madrugada, arrumam barracas, carregam caixas e nos oferecem além de produtos frescos, seus sorrisos, seu humor, sua dor...no alegre colorido.
Depois fui andar na garoa, agasalhada que nem um robô, e com um lenço cobrindo parcialmente meus cabelos, fui caminhar pra não pensar.
Chegando em casa, enquanto preparava um chá, o celular toca, leio o nome, pisco, e alegre atendo e escuto: ‘queria saber de você’. Oh...! Também quero saber de você.
O frio é espantado, as árvores cortadas vão nascer novamente, a natureza é sábia; deixa-se cortar e volta mais forte. Assim como nós, quantas vezes nossas asas foram podadas? Quantas vezes nossos sonhos foram desfeitos? Quantas palavras foram engolidas?
A noite vem chegando, a cachorra dorme, o gato me olha por cima querendo talvez me dizer: ‘creia em você, veja seu reflexo, veja sua estrela, tire o pó da testa, colha morangos na estrada, se perfume com alecrim'.
--TEXTO E IMAGEM: Solange Mazzeto
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